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01 de Julho de 2010
Remessas e baixa taxa de rolagem ajudam a manter fluxo negativo
Fonte: Jornal Valor Econômico - 01/07/2010 - Caderno Finanças
A saída de recursos estrangeiros do país ganhou força no mês de junho. Segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central, no acumulado de junho até o dia 25, a retirada de dólares superava o ingresso em US$ 4,644 bilhões. Somente na última semana, de 21 a 25 de junho, o fluxo foi negativo em US$ 1,095 bilhão. Embora o BC não detalhe esses dados, a percepção de analistas é de que remessas de lucros e dividendos e baixa taxa de rolagem de dívidas externas expliquem esse resultado negativo.
Segundo o BC, foi na conta financeira - na qual são fechadas as operações com capitais (investimentos em bolsa e títulos e empréstimos) e serviços (turismo, pagamento de juros e remessa de lucros) - onde o fluxo negativo foi mais forte. A saída líquida atingiu US$ 3,127 bilhões, como resultado de compras no valor de US$ 20,119 bilhões e de vendas de US$ 23,246 bilhões.
Já pelo câmbio comercial houve saída líquida de US$ 1,517 bilhão em junho até o dia 25, resultado de exportações de US$ 11,287 bilhões e importações de US$ 12,804 bilhões.
Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, há sinais de que as empresas de origem estrangeira estão ampliando a remessa de lucros e dividendos, engrossando o fluxo negativo no mês. "Os dados divulgados pelo BC em maio já deixaram evidente que havia essa tendência, o que deve ficar mais intenso agora em junho", afirma Afonso, referindo-se à saída de US$ 1,504 bilhão de lucros e dividendos registrada pelo BC no mês passado.
Afonso diz que o encerramento do semestre é, sazonalmente, mais propício a esse movimento de remessa de recursos para as matrizes, por questões contábeis. Neste ano, diante da condição mais frágil das empresas de países europeus, esse comportamento deve ficar mais forte. No acumulado do ano até maio, o maior volume de remessa de empresas brasileiras partiu para os países baixos (US$ 2,089 bilhões, ou 27% do total). Em seguida, vem a Espanha (US$ 1,165 bilhão, ou 15,2%) e, depois, os Estados Unidos (US$ 974 milhões, ou 12,7% do total).
Outro fator que pode explicar o fluxo negativo no mês de junho é a baixa rolagem de empréstimos externos. Sem a possibilidade de acessar o mercado externo - ou com condições pouco atraentes -, em um mercado ainda avesso a risco, muitas empresas têm optado por captar recursos no Brasil.
Mas esse quadro deve mudar, na avaliação de especialistas. Há indícios de que a janela de captações externas voltará a se abrir em breve. Tanto é que o próprio Tesouro Nacional já manifestou sua intenção de voltar a emitir bônus em dólares "nas próximas semanas ou meses".
Vale observar também que, embora o fluxo financeiro tenha mostrado resultado negativo, a Bovespa registrou um ingresso líquido equivalente a R$ 435,9 milhões de capital estrangeiro no mesmo período. Isso significa que, em meio à instabilidade externa, não houve uma fuga dos ativos brasileiros. Além disso, algumas operações de grande porte, como a captação de cerca de R$ 9,7 bilhões pelo Banco do Brasil, devem ampliar a entrada líquida de capital externo.
O fluxo negativo em junho, que ajuda a explicar a alta de 0,67% na última semana da moeda americana, que retomou o patamar de R$ 1,80. E também levou o BC a reduzir as compras de moeda americana em junho até o dia 25 para US$ 1,5 bilhão, ante US$ 4,2 bilhões em maio.
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