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02 de Julho de 2010
Superavit da balança é o menor desde 2002
Fonte: Jornal Folha de São Paulo - 02/07/2010 - Caderno Mercado
O aumento nas importações pelos brasileiros fez cair quase pela metade o saldo comercial do país no primeiro semestre.
De janeiro a junho, a diferença entre as vendas e as compras do exterior ficou em US$ 7,8 bilhões, valor 43,7% menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, na comparação pela média diária. Foi o menor saldo para o primeiro semestre desde 2002.
Com a economia brasileira em expansão e ajudada pelo dólar baixo, as importações cresceram 43,9% nos seis primeiros meses do ano, chegando ao valor recorde de US$ 81,3 bilhões. Já as exportações subiram 26,5%.
Para o secretário-adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Fábio Faria, as importações não devem continuar crescendo em um ritmo tão díspar das exportações no segundo semestre.
"O que importa é crescer o volume de comércio e isso está acontecendo. É algo louvável porque você está tendo um aumento da atividade econômica", afirmou.
Segundo Lia Valls, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas), a tendência é que o saldo da balança comercial brasileira continue caindo, devido ao maior crescimento econômico do país e pela lentidão na recuperação de mercados compradores, como Europa e EUA.
Ela ressalta que, com esse quadro, o país pode ter um problema de financiamento do deficit de transações correntes, já que há uma entrada grande de capital especulativo, mais volátil. A saída seria tornar os produtos brasileiros mais competitivos. "É preciso ter persistência em medidas de melhoria de infraestrutura, descobrir novos nichos de mercado, melhorar na oferta exportadora. Isso é um trabalho constante que demora, mas você tem que implementar e ser consistente", completou.
No primeiro semestre, a alta das exportações foi puxada principalmente por produtos básicos, como petróleo e minério de ferro. Nesse mesmo período, apesar de os embarques de produtos industrializados terem aumentado, eles perderam participação no total exportado pelo país, caindo de 56% de janeiro a junho de 2009 para 54,4% neste ano. Por outro lado, o aumento das importações foi escorado na compra de combustíveis - impactada principalmente pelo petróleo em alta - e por bens de consumo. Este último subiu 49%, deixando para trás a compra de matérias-primas e de bens de capital.
Apesar de a Ásia continuar liderando o ranking dos destinos de produtos brasileiros, o bloco perdeu participação no primeiro semestre, caindo de 28% para 27,3%. O motivo, segundo Faria, foi o menor embarque de soja para a China após meses de grandes vendas, devido à recomposição de estoques pelo país asiático. A participação da América Latina, por outro lado, subiu de 20,8% para 23,9%, devido à recuperação de seus países.
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